
A entrevista que eu fiz para o site www.tudoradio.com foi com um dos comunicadores mais rodados e conhecedores da profissão, também em outros continentes. Nesta entrevista ele fala de suas andanças pela América, projetos presentes e futuros e também de sua rádio Metropolitana FM. Vale conferir esse super papo com Windson Clay por aqui.
Bom Clay, a gente começa a nossa entrevista com a clássica pergunta: onde tudo e como começou o rádio pra você?
Bom Tuba, essa história começou com meu Pai (Otair Moreira). Ele fez de tudo no rádio, apresentou programas, fez narração esportiva, foi repórter ... enfim, entao a primeira vez que tive um contato com um estúdio de rádio em 1984, foi através dele. Foi uma coisa emocionante, amor a primeira vista e olha que era uma rádio AM, bem modesta no interior do Maranhão.
Mas você fazia o que antes? O Maranhão é a sua terra natal?
Estudava e tinha treze anos na época. Minha terra natal na verdade, é Guaraí, hoje Tocantins. Fica no interior de Goiás.
Quem você curtia ficar ouvindo na época?
No ínicio, por influência do meio em que eu vivia, ouvia muito os comunicadores da rádio Nacional de Brasília, por que na minha cidade naqueles tempos, não tínhamos rádio FM.
Então, eles foram sendo os seus inspiradores na carreira?
Na verdade acho que a nossa vida profissional tem ciclos. Nessa época eles eram sim. Mas depois com a chegada da primeira rádio FM na cidade, fui conhecendo mais do meio e ai pintaram novos inspiradores. Lembro da primeira vez que ouvi o Alberto Brizola fazendo uma tradução ou o Julinho Mazzei no Big Apple Show. Era tudo tão diferente e distante da minha realidade! Mas foram Muitos. Locutores como o Beto Rivera, Emílio,Waguinho, Law, Lui, Medeiros. Tem o Ricardo Henrique e o Marcelo Braga, o Marcos, o Sam, Alexandre Hovoruski, o Gilson Dário (entrevistado recentente do site TudoRadio). Quanta gente!
Você lembra do primeiro cara a ti dar uma oportunidade assim, no rádio?
Isso aconteceu numa rádio chamada Terra FM. Eu era operador e a rádio estava em fase experimental, então quando era madrugada sem que ninguém soubesse eu abria o microfone e dava a hora certa. As vezes falava o nome da música também, só que um dia o dono da rádio - que era deputado federal - ligou e perguntou para o diretor da rádio, "quem era o locutor da madrugada" pois ele comentou que tinha gostado do tal locutor. Então o diretor não pensou duas vezes e me colocou no Ar. Sim, esse foi o primeiro a me dar uma oportunidade. Cacá Anoni.
Que bacana! Senti você viajando nas lembranças daquela época. É muito legal mesmo, mas me conte um pouco da sua trajetória no exterior. Por onde foram suas andanças na terra do Tio Sam?
Morei cinco anos nos Estados Unidos, Atlanta e Miami. Lá eu e um outro sonhador chamado Santiago, montamos uma rádio somente para o público brasileiro. Depois trabalhei em TV, mas não curti muito. Meu negócio é rádio mesmo.
Há diferença entre a "escolas" americanas e brasileiras de rádio?
Completamente diferente em tudo. Desde a torre até a instrução de quem faz o rádio lá dentro. Os salários também, o jeito de consumir o rádio. Imagina! Lá as pessoas ligam o rádio, não pra ouvir música e sim pra ter uma companhia. Prova disso, é que o Prime-Time do rádio americano, são os talk shows da manhã, onde o que menos se ouve, é música.
Quem tem mandado bem por lá?
Lá não temos muitas novidades. Não é segredo pra ninguém que o grande nome do rádio é a Z100 New York. Mas tem surgido boas coisas também. A Now FM antiga Krock, tem se destacado bem.
Como surgiu esse seu nome "Windson Clay"?
Seria bom Tuba, você perguntar pro Seu Otair, o meu Pai. (Risos). Esse é meu Real Name.
Quais rádios você trabalhou aqui no Brasil?
Importantes foram todas, mas as mais conhecidas foram Cidade e Capital de Vitoria-Espírito Santo, Jovem Pan, Transamérica, Gazeta e Metropolitana FM, todas em São Paulo.
Na sua opinião a rádio digital vai vingar mesmo por aqui?
Nem lá (Estados Unidos) nem aqui. Imagina, na atual fase que atravessamos hoje, quem seria louco de trocar transmissor, processador, antena,.ou seja, o conjunto irradiante de uma rádio, para gerar programação pra ninguém? As rádios americanas com incentivos de empresas que tem interesses no processo, fizeram isso, o que aconteceu? Nada. Por ter morado lá, ti falo: "Não vai funcionar aqui."

Opinião contundente a sua sobre esse assunto, mas me diga: Qual foi a sua maior alegria e maior tristeza no rádio?
Ah Tuba, o rádio só me trouxe alegrias. Acho que na verdade fico triste mesmo, em ver o nosso meio no rádio, sendo canibalizado. Muitos ganham dinheiro com o rádio, mas poucos fazem ou fizeram algo pelo meio. Por exemplo, posso contar nos dedos, quem faz algo pelo rádio em São Paulo. O Tutinha, os Camargo, a família Digênio, os Sanzone (Jácomo e Jayr). Aliás, os dois últimos, fizeram mais coisas pelo rádio em São Paulo, do que grupos que estão aí a décadas.
O que você quer dizer com "fizeram mais coisas?"
Rodrigo, quando digo isso, quero dizer pessoas que fizeram algo de bom pelo rádio, seja investindo em equipamentos, estúdios, tecnologia, contratando profissionais e dando chance para os mais novos. É isso. Assim como São Paulo, creio que ai em Uberaba, existam também, os "Sanguessugas do Rádio".
Como pintou o projeto de trabalhar na Metro?
Essa é a minha terceira passagem pela rádio. Essa rádio que está no ar atualmente, nasceu de vários encontros com o Jayr Sanzone, quando ele ia pra América. Nessa época, ele estava querendo dar uma cara nova pra rádio aqui, então ele o Gilson Dário montaram todo o projeto e me convidaram pra fazer parte dele.
Trabalhar em emissoras das grandes capitais, você acha que ainda é o sonho de todo profissional do ramo?
Na verdade não. Temos ótimos exemplos de boas rádios com grandes profissionais que não estão em grandes capitais. A Mega e a Clube de Ribeirão Preto/SP, a Folha de Londrina. Enfim, pode ser aí na sua região também. São os que costumamos chamar de Guerreiros e que estão por todo lado, muito bem obrigado.
Mas nos dias de hoje ainda vale a pena?
Vir pra São Paulo? Se esse é o seu sonho, claro! Acredite que valia a pena e siga em frente.
Você ainda pensa em voltar pra América? Seus filhos nasceram lá, não é?
Olha Tuba, meu filho mais velho, no ano que vem vai estar na High School (colegial americano) e também tenho meus projetos rolando. Inclusive um deles está na mesa dos chefões da XM Radio. Esse já foi aprovado e agora estamos eu e eles esperando o aquecimento do mercado americano e isso já está acontecendo.
Dá pra dar uma adiantada em primeira mão nestes projetos, com exclusividade pra gente?
Melhor não! Agora não. Depois ti conto. (Risos)
Fizemos essa entrevista na semana que Michael Jackson morreu aos 50 anos na Califórnia.) O que você tem a dizer sobre isso e se tem lembrança do dia que você tocou ele em alguma rádio, na programação?
Tuba, o Thriller foi uns do primeiros LPs que eu tive contato, lá no comecinho. Na verdade o Michael sempre fez parte da minha vida no rádio. É como se cada título dele, significasse um ciclo da minha vida profissional. A primeira música dele que eu executei, foi Billie Jean.
Várias rádios, vários djs na balada, incluiram ele nos playlists em todo mundo. É uma boa oportunidade dos mais jovens hoje, conhecerem quem ele foi, ao passo que a geração MTV, já tinha ouvido falar, mas talvez, não conheciam o seu significado, não é mesmo?
Olha foi surpreendente. Ti falo uma coisa: todo mundo sabe da obra dele, prova que Beat It, Billie Jean e Thriller foram as mais pedidas na rádio (Metropolitana).
Clay, mudando de assunto, querem boicotar o diploma dos jornalistas. E no rádio, o polêmico DRT. Como é definido isso entre os profissionais da América?
Lá é exigência. Se não tem curso, não entra.

Pra bom entendedor, meia palavra, basta. Mas há faculdades por lá para o ensino teórico e prático da profissão?
Tem. Inclusive grandes escolas especializadas Broadcast e olha que um curso básico custa mais que um curso de piloto. Em média 15 mil dólares.
Gostaria que seus filhos seguissem também na carreira?
O mais velho o Caio tem jeito pra negócios e o mais novo o Victor, já é um expert em informática. Eu até gostaria, mas acho que os caminhos deles, vão ser outros.
Legal Clay. Você tem muito fãs pelo Brasil, até de profissionais mesmo, mas manda um toque para galera debutante na carreira.
Então, invista em você. Faça cursos, fale mais de uma língua.O mercado hoje em dia, pede cada vez mais profissionais completos. Procure aprender sobre o o seu meio, que tipo de microfone, processador, transmissor, a mesa de áudio da sua rádio ou que a concorrente usa. Um radialista que não sabe desses detalhes, é a mesma coisa de um piloto de avião, que não conhece o aparelho que comanda.
Você anda fazendo trabalhos paralelos a Metropolitana?
Sim, apesar da correria, ainda encontro um tempo para fazer produção para diversas rádios do Brasil. Tenho feito muita coisa, inclusive para fora do Brasil com um dos melhores produtores do planeta: o Gilson Dário. Então se precisarem de algo, já sabem. Emails: windson.clay@gmail.com
Então vir passear aqui em Minas pra tomarmos um café com pão de queijo, nem pensar, pelo jeito, não é?
Pode ser no próximo feriado? (Risos)
É, resta saber que feriado! (Risos). Windson Clay, quero ti agradecer pelo bate-papo, pela atenção. Foi formidável! Deixe as suas considerações finais pra galera aqui do site.
Só tenho a agradecer a você Rodrigo Tubaraum e ao Daniel pela oportunidade e também a todos os leitores. Aliás o Tudo Radio, é a minha leitura obrigatória de todos os dias. Parabéns a todos vocês aí. Obrigado mesmo.
Bate-Bola Rápido
Eu sou: apaixonado pelo rádio.
Mas poderia ser: mais apaixonado ainda.
Metropolitana FM: inovadora, uma rádio a frente do seu tempo.
Um microfone: com um bom processador, qualquer um.
Um fone: Sony V6.
Enter X Cartucheira: o Pulsar, une os dois.
Time do coração: R.F.C Radio Futebol Clube.
Amor: família.
Música especial: Ain't No Mountain High Enough.
Um arrependimento: não tenho arrependimento, mais queria ter feito parte da geração anos 80.
Uma grande lembrança: minha chegada em São Paulo em 95.
Uma grande satisfação: ter trabalhado com alguns dos meu inspiradores.
Um sonho: Windson Rádios Reunidas LTDA.
Sou grato a: todos que direta e indiretamente fizeram e fazem parte da minha vida no rádio.
Mais amigos ou colegas: amigos. Sem amigos, você não chega nem na esquina.
Windson versus Clay: conflito constante. (Risos)

























































