
A 4ª Virada Cultural, que exibiu em torno de 800 atrações na capital paulista por 24 horas ininterruptas a partir das 18h do último sábado, foi vista por cerca de 4 milhões de pessoas, segundo estimativa da Secretaria Municipal de Cultura, promotora do evento. O centro foi a região da cidade com a maior concentração de palcos (26) e de público, que circulou pelas ruas com o medo da violência posto de lado.
A cantora baiana Gal Costa se apresentou no sábado (21h), no palco São João, o maior do centro, onde a cabo-verdiana Cesaria Evora abrira a noite, às 18h. No show seguinte (0h), de Zé Ramalho, a multidão flertou com a irresponsabilidade. Uma avalanche de pessoas começou a retornar da av. São João pela r. Aurora, num empurra-empurra que arrastava os demais. Quando Zé Ramalho abriu o show, com "Beira-Mar", só restava a Amanda Panuncio, 18, espaço para mover os braços, espremida contra a grade de proteção. Até o fechamento das informações, não havia sido divulgado o número de atendimentos médicos.
Os Mutantes sucederam Ramalho às 3h. Havia público, literalmente, nas árvores. Simoni Bampi, 43, veio de Porto Alegre para ver o show, que "superou todas as expectativas" dela. Assim como Bampi, visitantes de outros Estados foram atraídos pela Virada. Mas moradores de São Paulo tiveram seu dia de turistas na cidade. Margareth e Josiane Penha, mãe e filha, foram ao palco de dança, no Anhangabaú. Moradoras do Jardim Educandário (zona oeste) elas nunca freqüentam o centro a lazer.
Perto dali, na pista de música eletrônica em frente ao CCBB, o publicitário Décio Freitas, 27, admirava o local. O volume de público impressionou habitués da Virada.
Sem registro de incidentes graves, a maratona não foi livre de atropelos. Além do aperto na circulação pelo centro, houve atrasos e falhas de som e luz. Uma delas interrompeu o show da Orquestra Imperial (15h de ontem), quando o secretário de Cultura, Carlos Augusto Calil, estava no palco. Nos teatros da praça Roosevelt, houve quem esperasse três horas e meia na fila por ingresso. Banheiros químicos em número insuficiente (350) resultaram em sujeira e mau cheiro.




















































































